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Meu filho é um sonho

Ontem, pela primeira vez, sonhei com o meu filho. Ou pelo menos com a “visão” que faço dele hoje. Foi rápido e lembro de pouca coisa, mas foi muito importante pelo ineditismo do fato.

Mas uma coisa me deixou pensando: no sonho, eu levo o Theo para o meu pai conhecê-lo. Não sou de ficar interpretando sonhos. Na verdade, acho isso um puta porre. Mas teria aí algum significado escondido? Estaria eu pedindo a aprovação do meu pai? Ou provando para ele que eu dou conta do recado?

Fiquei com isso na cabeça e embora seja algo totalmente pessoa, resolvi publicar aqui. Vai que alguém tem uma explicação melhor…

It’s a boy!

Segunda-feira foi um dia especial. Mais um, na verdade. Foi quando descobrimos que nosso baby já tinha um sexo definido e, consequentemente, um nome. Se fosse uma menina linda, se chamaria Liz. Mas vai ser um guri, forte, brincalhão, cheio de energia e inteligente de nome Theo (o acento ainda está em discussão). 

Eu não estava presente quando a Mari fez o ultrassom (estava em LA trabalhando), mas assim que saiu da médica ela me ligou. “Advinha… É um menino! A coisa mais linda do mundo! Tem umas coxonas fofas e ficava se mexendo o tempo todo.” Espírito maternal é isso. Ele já é tem a perna mais grossa que o Roberto Carlos e é mais bonito que o Beckham :-) 

Mas preciso confessar que assim que ela me contou os canais lacrimais foram se enchendo a ponto de uma poça d’água se alojar no canto do olho - e ser devidamente controlada, tá pensando o quê? Mas toda vez que eu penso que daqui a alguns meses vou estar segurando em meus braços meu filho, ela teima em voltar. Ei, é meu filho e sei que apesar de todos os defeitos que ele pode vir a ter, vai ser perfeito ;-) 

 

interlúdio

Antes de conseguir meus 30 minutos necessários para terminar o diário de bebê a bordo sobre Boston e Nova York - Last Days, tenho outra viagem para os US and A.

Dessa vez, a trabalho. Estou neste momento no aeroporto de Guarulhos esperando meu vôo para Los Angeles via Atlanta. Os motivos são aqueles de sempre: filmes, entrevistas e todo o combo que vem junto (cansaço, sono excessivo e muita satisfação).

O resultado estará online no Omelete a partir de domingo cedo, se tudo der certo :-)

Saímos de Chester depois de um nada saboroso café-da-manhã no próprio Hollyday Inn e começamos a rodar sem destinos muito fixos. Seguindo conselhos da mulher que estava na recepção fomos parar em Sugar Loaf, uma cidadezinha que se resume a uma rua. Literalmente. Parece uma vila de ex-hippies ou ex-youppies que agora só curtem a aposentadoria. Os pontos altos foram uma loja de LPs cheia de novidades a altos preços (um bolachão novinho do Arcade Fire, por exemplo custava US$20 - e o dono falou “O vinil está fazendo o maior sucesso com a molecada”) e uma foto tirada por um tiozinho que saiu de dentro de uma loja de velas com uma bengala na mão, um croc em apenas um dos pés e que, depois de clicar, saiu andando em direção ao Porsche que estava estacionado na sua garagem. De vender velas é que ele não conseguiu um carro daqueles…

Seguimos caminho sem direção e paramos em Hyde Park, cidade dos Vanderbilt e também natal do presidente Roosevelt, o FDR. Chegamos à mansão Vanderbilt quase no fim do expediente, mas ainda deu para dar uma bela caminhada pelo jardim. Os passeios ficaram para outro dia. A Mari adorou a lojinha, cheia de coisas que não eram para o nosso gosto, mas muito bem montada. Ficamos curiosos com o tanto de souvenirs que faziam referência a Paris e a explicação é simples: a Sra. Vanderbilt adorava a cidade e muitas das coisas que estão expostas, de roupas a decoração ela trouxe de lá.

Próxima parada: Rhinebeck, uma das cidades mais bonitas do vale e cheia de coisas para fazer. Na verdade “cheia”, pois ao contrário das outras ela não era apenas uma rua. Eram DUAS! Várias lojinhas, um shoppingzinho e uma lanchonete onde tomamos um sorvete à noite. Ficamos hospedados no Beekman Arms Inn, a pousada mais antiga do país - pelo menos segundo a enorme placa que estava do lado de fora. Pagamos 80 dólares o quarto, com direito a um café-da-manhã no dia seguinte.

****

DIA 07

O café da manhã foi uma decepção tão grande quanto a final da Copa do Brasil, que o Corinthians conseguiu perder na noite anterior. Novamente pedindo dicas para a menina da recepção, que desta vez era Argentina e falou que aquela cidade era refúgio dos milionários de NYC, fomos para o Poet’s Walk Park. O nome é quase auto-explicativo: um parque para caminhar. E, pela sua beleza, para fazer poesia também, acho. Na verdade, é um grande campo com uns quatro pontos onde se pode sentar e ficar olhando o verde em volta e chegar perto do rio. Bonito, mas não mais do que o construído pelo nosso amigo Vanderbilt.

Tínhamos então duas escolhas: atravessar novamente o rio para o oeste e ir para Woodstock ou seguir para Olama. Woodstock, claro. A cidade foi a maior por onde passamos em termos de comércio e tamanho em si. Muito ainda em torno do famoso festival dos anos 60, que na verdade nem aconteceu ali, mas sim em uma fazendo a cerca de 1h30 dali. Gastamos boa parte das duas horas que ficamos ali na Woodstock Legends, uma lojinha com muita coisa da época. Da época mesmo! Batas, vestidos, discos, etc.

De lá, nós erramos a saída e demos uma pusta volta antes de chegar em Athens, uma linda cidade à beira do rio - completamente Dawson’s Creek. A idéia era passar a noite ali, na Stewart House, mas quando chegamos lá vimos que a cidade não tinha nada para fazer e decidimos seguir caminho para Boston, ou o mais perto possível de lá…

TO BE CONTINUED…
(Enquanto isso, mais fotos: www.flickr.com/forlani)

O dia hoje foi meio inútil em termos culturais. Depois de tomar café, fui pegar o carro e logo depois saímos de Nova York City em direção ao Woodbury Outlet - paraíso das compras e pesadelo dos cartões de créditos. Sim, nós gastamos. Sim, comprei algumas coisas que nem precisava tanto. Sim, fiquei com vontade de comprar ainda mais coisas, mas não deu tempo. 

Quando as lojas estavam quase fechando, caiu a maior tempestade dos últimos tempos. Ventos, raios e tudo mais. Caiu até a energia do Shopping e tudo. Por sorte (e o mínimo de noção mercadólogica), o Applebees ficava aberto até as 22h. Conseguimos comer algo e fugir do pior da chuva. 

Com uns mapas na mão, começamos a procurar um local para dormir. Achamos no mapa um James Motel, em Monroe - pertinho de onde estávamos. No meio do caminho paramos em um típico “Dinning” para perguntar onde era o lugar e as primeiras palavras do gerento do lugar foram “You don’t wanna stay there”, seguidas da explicação de um Hollyday Inn em Chester, dez minutos dali. 

Chegamos aqui e logo depois do jogo Lakers x Celtics a energia da cidade inteira caiu. Tivemos que tomar banho a luz de notebook. Nerd é nerd! :D

Subi umas fotos dos dias anteriores no flickr - http://www.flickr.com/photos/forlani/

Não tá dando para atualizar tudo no dia. Estamos chegando em casa acabados e depois de um merecido banho, mal dá tempo de falar “boa noite” um para o outro.

Mas vamos lá. O que fizemos neste terceiro dia em Manhattan? Como já virou tradição, o café-da-manhã foi no Paradise, que não tem Reindeer no nome. É Paradise Cafe e só. O pedido do dia foi um smoothie e bagel de alho com cream-cheese. Delícia!

Não conseguimos falar com o Eduardo Graça, amigo que mora no Brooklyn, logo que acordamos, então fomos para a Mega Store da B&H Photo. Lugar é um sonho para qualquer pessoa e um pesadelo para os que consomem tecnologia. Câmeras fotográficas e filmadoras, lentes, flashes, bolsas para carregar tudo isso, computadores, impressoras, ipods… tudo o que você não sabe que precisa está aqui e a bons preços. Um dos diferenciais da loja é que todos os atendentes sabem o que estão vendendo e vão te ajudar. E alguns deles falam português. Não à toa, a loja foi o local com a maior concentração de conterrâneos que encontramos por aqui. O que mais me impressionou, depois do tanto de gente e de coisas que havia por lá, foi uma esteira que corre por toda a loja carregando caixas com as mercadorias. Aquilo sozinho deve ter custado alguns milhões de dólares para implementar.

Depois de muita espera no metrô - mais de 30 min. fácil - começamos nossa descida rumo ao Brooklyn para encontrar o Edu. Quando chegamos lá, um apê muito legal, diga-se de passagem, logo fomos comer algo. Acabei não guardando o nome do cafe, mas os pratos com ovos saíram em média por 10 dólares e um suco fresquinho de laranja mais uns 3 dólares. Tudo muito bem feito. De lá fomos andar pelo Brooklyn, conhecer a área e aprender que um apê na região não sai por menos de 800 mil dólares - um prédio ao lado do rio acabou de ser vendido a absurdos 45 milhões de dólares. Passamos pelo calçadão, vimos o “telescópio que liga NY a Londres”, passamos no meio da festinha de aniversário do Teddy e entramos de bico no fim de um casamento. Tudo ali nas áreas públicas dos parques que margeiam o rio. É isso aí, se é público, por que não usar, né?

Nas andanças pelo bairro fomos apresentados ao Jacques Torres, que não é uma pessoa, mas sim uma chocolateria. A ótima pedida foi um Frozen Chocolate (US$4,50), que é um tipo de milkshake feito com chocolate puro. Como era um domingo, a fábrica não estava funcionando, mas o cheiro daquele lugar é woompaloompaliano.

Passamos por uma galeria de arte, andamos mais um pouco e iniciamos nossa volta para Manhattan. O mais legal: a pé! A travessia é bem tranquila, em uma via para pedestres e ciclistas que fica sobre os carros. A chuva, que em outrs dias poderia ser um problema, foi ótima, pois diminuiu um pouco o calor.

No fim da ponte há uma estação de metrô. Subimos até a estação Astor Place, andamos até a Washington Square e os prédios da NYU e descemos pela MacDougal Street até a Bleecker St, passando por vários barzinhos. Não entramos em nenhum, mas vários deles nos parecebem muito bacanas. Não resisti uma passada na Bleeker Street Records e saí de lá carregando os CDs “End of The Century” e “Rocket to Russia”, dos Ramones e “Metamorphosis” e “Between The Buttons”, dos Rolling Stones, além do DVD “It’s Alive”, dos Ramones, para o meu tio. Aquele reduto punk contrasta com as lojas caras que seguem mais para frente na mesma rua.

Para fechar o dia, encaramos um hambúrguer no Corners Bistrot (junção da Jane x 8th e 4th). Burger (6,50), fries (2,50), chá gelado (2,50) e cerveja quente (3,50).

*****

Aproveitando, o dia 04!

O café-da-manhã, foi lá mesmo, no Paradise. E dali já saímos para o meu museu preferido no mundo: O MoMA (Museum of Modern Art). Foi neste lugar, em 2000, que minha visão de museus mudou. Até então, achava museu a coisa mais chata que existia. Hoje, voltando lá, me lembrei por que gostei tanto: lá não tem só “peças de museu”. Quadros chatos e esculturas idem. Onde mais você vai ver legos, mola maluca, CD, torradeira, garfos, cadeiras e ventiladores dividindo espaço com Picassos, Andy Warhols, capas da revista Esquire e uma divertida compilação de fotos em que a sombra de quem clicou aparece em algum canto? Isso é o MoMa. Ou melhor, um resumo muito porco do MoMA, que tem um acervo ao mesmo tempo histórico e atual e uma lojinha igualmente sensacional.

O motivo para irmos ao museu, além da visita em si, era fugir do calor do dia. Até o almoço foi lá dentro, no café do próprio museu. O problema é que o MoMA fecha às 17h30 e a lojinha às 18h30. Ou seja, com o sol ainda bastante forte fomos jogados na rua, derretendo junto com o asfalto da quinta avenida. Paradas estratégicas sob o ar-condicionado da Disney Store e da Nike Town foram necessários e refrescantes.
Dali subimos a quinta até o metrô em direção à 23 st., para uma olhada - por fora - no parque mais exclusivo de Manhattan, o Gramercy Park. Por lá, só entra quem mora em um dos prédios vizinhos e tem a chave que abre um dos portões. Não é o nosso caso. Ficamos de fora com cara de cães abandonados, mas nem assim…

Descemos a Park Avenue até a 17 e viemos andando até a 7ª. Paramos para o jantar: mais hambúrguer para mim (por caros, mas merecidos 10 dólares - o queijo que eles usaram deu um toque todo especial) e um sanduíche de atum no pão sírio para a Mari. Passo seguinte: casa, banho e cama. Amanhã saímos em direção ao vale do Hudson (que descobrimos hoje que se fala rádson e não riudson).

Caramba, como a gente enrola. Acordamos umas 9h e saímos do apê eram quase 11h. O nosso café da manhã no mesmo lugar do dia anterior, aqui do lado. Mas desta vez com torrada com pasta de amendoim e geléia e smoothie de manga, blueberry e banana pra mim e torrada e cream cheese pra Mari.

Pegamos o metrô até o Central Park. Como uma garrafa de 750 ml de água na banca de revistas custava US$ 2,00, fomos procurar um supermercado. Valeu a pena. Pagamos US$ 1,25 por uma garrafa de 1L. Para garantir as próximas horas, uma salada de frutas e um salgadinho também.

Voltamos ao Central Park e andamos muito. Embaixo de um calor infernal. Na verdade, a gente andava um pouco e parava outro pouco, para dar uma descansada e reidratada. A parte onde mais ficamos foi a área onde estão os campos de baseball e softball. Estavam rolando uns jogos infantis. Maior barato ver a molecada do tamanho dos bastões tentando rebater as bolas ou, o que se mostrou ainda mais difícil, pegá-la depois de uma rebatida. Rendeu foto pra caramba!

Andamos mais um monte e quando achamos que estávamos no caminho certo para a fonte Bethesda, entramos no zoológico e nos perdemos feio, voltando para a avenida onde tínhamos começado, mas na outra ponta do parque. A saída, então foi ir andando por fora do parque, também muito bem arborizado, até a 72th. Daí deu certo. Chegamos enfim à fonte, famosa por vários filmes. Tinha muita gente por lá. E muitos casais de noivos tirando fotos! Muitos é modo de dizer. Vimos 4 casais. Na passagem subterrânea que vai de um lado da rua direto para a fonte tinha um maluco fazendo um som bem exótico.

De lá saímos à procura da Strawberry Fields. Passamos por lá, naquele mosaico escrito Imagine (que aliás, estava bem destruído e cercado para manutenção e o Dakota Building. Só não achamos a entrada onde o John foi morto. É aquela ali do lado, que agora é interditada para quem não é morador?

O próximo destino seria o restaurante Zen Palate (2170 Broadway) indicado no guia “Nova York - Seu Guia Passo a Passo”, mas que não existia mais. Acabamos parando no Cosi [www.getcosi.com]. A cadeia é bem bacana, saudável e acessível. Ah e com internet gratuita. Comemos saladas e rachamos um iced tea. Cada salada custou entre 8 e 9 dólares e o iced tea mais uns 3.

Aproveitando o wifi, olhei a temperatura no iPhone. A máxima prevista para o dia era de 33 graus e a temperatura daquele momento marcava 34! Saímos de lá ainda grogues com o calor e fomos lentamente caminhando até o Riverside Park. Tinha uma galera por lá jogando basquete em uma quadra minúscula. Continuando a caminhada, quase na 72, vimos um esquilo. O bichinho parecia domesticado e veio andando na nossa direção até chegar bem pertinho. Não resisti e começou mais um ensaio fotográfico desses animais rabudos. Literalmente. O ponto alto foi quando um deles veio comer na minha mão.

Seguimos pela 72 até a esquina com a Broadway, onde fica uma das lojas da cadeia mais legal de roupas e acessórios cool, a Urban Outfitters [www.urbanoutfitters.com]. Ficamos fácil uma horinha e meia por lá. Diferente das lojas lá de Los Angeles, porém, a branch que nós fomos tinha pouca coisa legal na área em promoção. Saímos de lá com uma sacola até que cheinha, mas não totalmente satisfeitos. Os pontos altos foram um chapéu para mim e uma série daquelas bonequinhas russas que ficam uma dentro da outra, mas com Anakin dos episódios I, II e III até chegar no Darth Vader. US$18, mas não resisti. Foda!

Anda um pouquinho, descansa um pouquinho. Paramos no Nanoosh, uma das maiores descobertas até agora. O restaurante é todo moderno, com lustre recheado de quinua, pastilhas nas mesas. Super Trendy. E tinha ar-condicionado! O local é especializado em humus. Pedimos o nosso c/ cogumelos (US$7,50) e um iced tea com menta levemente adocicado c/ acucar orgânico (US$2,50).

Camelando e cansando, chegamos ao Lincoln Center, que estava quase que inteiro em reforma na sua fachada. Os teatros, porém, estavam funcionando e como bom sábado, cheios de gente. Saímos de lá para pegar o metrô e economizar um pouco de pé, que a essa altura mal sentíamos. Que cagada. A linha estava em manutenção e acabamos andamos pra caramba dentro do metrô a pé e nos próprios trens. Perdemos cerca de uma hora. Detalhe, se tivéssemos indo andando para a loja da Apple na 5ª Avenida tínhamos chegado em uns 30 min no máximo.

A Apple Store é 24h. E pelo horário que estávamos lá, parecia que o slogan de “The City That Never Sleeps” é bem real. Era como se fossem 3h da tarde. Fiquei paquerando um teclado que custa US$49, mas acabei não comprando. A time machine de 250 gb tá 250 dólares e me pareceu uma boa opção também. Vamos ver…

Para fechar a noite, fomos ao Burger Joint. A lanchonete fica escondida dentro do hotel Le Parker Meridien (119 W 56th Street, entre a 6ª e a 7ª, do lado do Carneggie Hall). Chegamos lá 23h45. O local só funcionava até a meia-noite e os funcionários já estavam todos relaxados. O foda é que logo depois da gente, chegou uma galera. Sem brincadeira, umas 8, 10 pessoas e todo mundo teve que voltar para a cozinha para trabalhar. A fama se justificou. O burger é bem bom e a aparência “pé-sujo” dá um toque todo especial, bem como a parece cheia de autógrafos de gente como Ashton Kutcher, Paris Hilton, Dre, Tony Hawk, P Diddy.

Tudo começou no dia anterior, quando descobrimos que a senhora da America Airlines que nos vendeu as passagens marcou nossas poltronas no meio daquelas fileiras centrais do avião. Na boa, quem em sã consciência e grávida vai querer sentar ali? Por sorte conseguimos trocar… mas fomos para a última fileira, ao lado do banheiro e da “cozinha”. Para piorar, tinha um cara xavecando uma menina (e vice-versa) e o som dos “esses” que ssssaíam da boca dela driblavam até o meu fono anti-ruído. Impresssssionante!

Chegamos ao JFK por volta das 6h. A imigração estava tranquila e quando estava quase chegando a nossa vez, nos mandaram para uma outra fila - achando que aquilo ia agilizar o processo. O pior: sabe aquele cara da PF que tem uma puta cara de chato e que você fica rezando para não ir com ele. Pois é, caímos justamente lá. Entregamos os passaportes já com os formulários na página dos vistos, mas ele nem olhou e já foi digitando umas coisas. Quando perguntou o que eu me trazia à cidade e eu soltei um “turismo” ele me disse, mas você tem o visto de imprensa. Eu ia explicar que foi ele que não olhou direito meu passaporte, mas me contive e disse apenas “I’m so sorry” e fomos embora.

Tínhamos três opções para chegar até Chelsea, onde mora a Michelle, amiga da Mari do Estadão: 1. Air Train + Metro; 2. Shuttle e; 3. Taxi. Respectivamente 7, 21 e 45 dólares + tips. Arriscamos sem medo no Air Train. E embora tenha sido bem mais barato, não foi a saída mais rápida. Só para conseguirmos comprar os bilhetes de metrô demoramos uma meia-hora. Culpa da enorme dependência das máquinas e, o que é pior, de máquinas que não dão troco (o máximo é de 6 dólares). Depois, já dentro do metrô, a Mari começou a ficar preocupada, pq não passava uma estação que estava no nosso mapa. O problema é que os nossos guias basicamente só mostram Manhattan e até conseguirmos sair do Brooklyn foram uns bons 30 minutos.

Chegar à casa da Mi foi super tranquilo. É do lado do metrô. E ainda conseguimos encontrar com ela e com a Mariana, que estavam atrasadas para pegar o vôo para Las Vegas, onde passariam o fds. Descemos com elas para tomar café no Paradise Reindeer (US$5,50 um smoothie enorme + $2 cada bagel com cream cheese). Justo. E ali começamos a perceber que Chelsea era um bairro gay - “not that there’s anything wrong with that!”® Seinfeld. Mês que vem vai ter semana do orgulho gay e a oitava avenida já estava toda “arcoirizada”.

Subimos a oitava até o Madison Square Garden, passamos pela Pensylvania Station e depois até Times Sq. via Fashion Avenue. Como era só um passeio de reconhecimento, demos uma olhada na loja da M&M (jamais imaginaria que houvessem tantos produtos com a marca dos chocolatezinhos), Virgin (até que foi rápido) e TKTS, que só abre das 15h às 20h.

Começou então a temporada de caça por um lugar para comer. É impressionante como NY virou uma cidade preocupada com a saúde, algo que já tinha visto na Califórnia. São inúmeros os locais onde se vende coisas naturais, sopas, saladas, orgânicos… Burger and fries? Soooo last season! Acabamos no Hale and Hearty (462 7th Ave) comendo combos de sanduíche e soupa. Gastamos uns US$ 14,50.

Na volta para o apê paramos na H&M e compramos várias roupitchas pro bebê e depois paramos na Buy Buy Baby (7th. Ave), onde gastamos uma boa horinha só olhando os diferentes tipos de carrinhos (trolers, como dizem aqui), que são todos muito iguais e ao mesmo tempo tão diferentes entre si. E descobrimos porque o tal do MacLaren é o mais vendido: tem bom preço, é relativamente fácil de desmontar e, além de tudo, é muito leve.

Na tentativa de achar uma conexão, paramos num dos 400 mil Starbucks da cidade, e descobrimos que o wi-fi lá não é free. Continuamos andando downtown e depois paramos para comer uns croissants (US$2,25 cada) do Le Pain Quotidien (124 7th Ave).

Finalmente voltamos para casa. Tomamos banho, baixei umas fotos do iphone (não tinha saído com a minha câmera) e com apenas 1h15 de atraso em relação ao nosso plano inicial estávamos na rua de novo. Destino: Little Italy.

O bairro italiano foi meio que deslocado pelo bairro chinês, mas continua lá, firme e forte, servindo uma comida boa a preços honestos. Gastamos US$ 47 (com serviço) no Positano Ristorante (122 Mulberry St). O cara que fica na rua chamando as pessoas para entrar faz o tipo mafioso, com óculos de sol à noite e terno sobre uma camiseta. Mas a comida é boa, o dono fala um pouco de português, aceitou TC, deu troco e tudo mais. Ah, o mais importante, tinha uma foto do De Niro em cima do cardápio. Ficamos pensando se ele é o Jô Soares dos restaurantes de Little Italy :P

Fotos: http://www.flickr.com/photos/forlani/sets/72157605476023265/

Minha amiga Luana

Leitores habituais do Omelete sabem que em março passei um dia inteiro no set de filmagem de A Mulher Invisível, novo filme de Cláudio Torres (se não acredita, veja a entrevista aqui), protagonizado por Selton Mello e Luana Piovani (com quem também conversei).

Pois bem, tudo isso foi só um flashback à la Lost para explicar o que aconteceu essa semana. No dia no anúncio do filme Família Vende Tudo, peguei a câmera e fui até a FNAC conversar com o diretor Alain Fresnot (Ed Mort, Desmundo) e a “minha amiga” Luana sobre o projeto. E para a minha surpresa, a moça me reconheceu (ou então provou que é ótima atriz e me convenceu que se lembrava de mim - o que pra mim já valeu a semana!).

O bate-papo com os dois e mais detalhes sobre o filme estão a seguir:

APQuem viu, viu. Mas quem perdeu não está perdido. Graças ao VT e, hoje, ao YouTube, dá para procurar por aí vídeos do Gustavo “Guga” Kuerten jogando, ou melhor, espalhando alegria pelas quadras de tênis mundo afora.

Não sou aficcionado pelo esporte das raquetes como sou por futebol (ou melhor, pelo Corinthians), mas já passei algumas boas horas na frente da TV vendo Guga correndo de um lado para o outro, encaixando suas esquerdas matadoras e vibrando muito a cada acerto.

Dono de um sorriso inocente e sempre verdadeiro, Guga trouxe também sorrisos aos rostos de muitos brasileiros… e também algumas lágrimas, como nesta sua comovente turnê de despedida. É um choro triste, conseqüência de todos os esforços (que não foram em vão!) que o levaram ao limite físico e anteciparam sua aposentadoria. Mas é também uma lágrima por todos os momentos emocionantes, as conquistas e alegrias que ninguém tem como apagar.

Poderia ficar escrevendo um ano inteiro sobre Guga, mas jamais vou conseguir ser tão preciso quanto foi Juca Kfouri neste texto publicado na Revista da Folha em julho de 2004, véspera do início da Olimpíada de Atenas:

Tênis: Sócrates da raquete
por Juca Kfouri

Pense no Guga. E negue que você fica com vontade de convidá-lo para ir à sua casa. De oferecer, até, o seu colo.

Pense no Guga e veja se ele não tem assim um quê do Chico Buarque, se muito mais do que uma pessoa famosa ele não é uma pessoa querida. Pense no Guga e constate que alguma coisa nele passa uma certa sensação de carência, além de delicadeza.

E saiba que o Guga é sim, de certa forma, carente, porque perdeu o pai, Aldo, aos oito anos. E entenda por que seu treinador, Larri Passos, é muito mais que seu técnico. E que Guga é um cara extremamente delicado.

Pense no Guga e constate que ele é uma espécie de Doutor Sócrates do tênis, não apenas pela coragem de tomar posição (só ele para dizer um basta ao presidente da Confederação Brasileira de Tênis) como pela necessidade de ter prazer no exercício do seu ofício.

Desnecessário enumerar aqui as conquistas do Guga. Basta dizer que ele ganhou três vezes o charmoso torneio de Roland Garros e que ficou durante 43 semanas como tenista número um do mundo.

Ah, sim, e que ele é brasileiro, nasceu num país cuja tradição no tênis se resume a um nome, o da grande Maria Esther Bueno.

Um rapaz que simplesmente substituiu Ayrton Senna no coração do Brasil, afirmação que ele mesmo considerará de um exagero inominável, porque Senna é seu ídolo maior. Um manezinho da ilha de Floripa que aperta sua mão calorosamente e que até hoje parece estranhar a admiração que desperta.

Que está rico, milionário (ganhou quase US$ 15 milhões dando raquetadas pelo mundo afora, sem contar o faturamento com publicidade), mas é de uma simplicidade a toda prova. Que torce pelo Avaí no futebol e é fissurado no Bob Marley.

Que diz que não dá para conciliar sua vida de esportista cigano com a de chefe de família, razão pela qual quer ter um monte de filhos, mas só depois de pendurar a raquete –ou que é capaz de pendurá-la se acontecer de ter um filho entre um ace e um smash.

Agora você pode estar pensando que mais um pouco e Guga (quatro letras como Pelé, como Zico, como Éder, o Jofre, do boxe) será chamado de Deus (outras quatro letras), um sujeito perfeito.

Nada disso, porque ele tem defeitos, como todos. Suas unhas dos pés, por exemplo, são um horror, encravadas pelo atrito das brecadas impostas pelo jogo de tênis e que tênis (o calçado) nenhum consegue resolver. Para não falar das bolhas.

Ah, sim, como todo esportista de ponta, Guga sofre. “No pain, no gain”, sem dor, sem vitória, como se diz. E hoje em dia ele sofre mais no saibro (o piso predileto, onde mais venceu) do que nas quadras rápidas, porque seu quadril reclama do esforço, quadril que precisou operar e que ainda não está 100% –se é que algum dia voltará a estar.

Em Atenas, jogará em quadra rápida, na busca de uma medalha, de qualquer metal, coisa que valorizará como a coroação de sua carreira tão coroada. Porque Guga tem essa coisa de representar o Brasil bem viva, sem discursos ufanistas, até porque acha que faz sua parte, não só ao auxiliar crianças deficientes como também ao dar bom dia aos empregados de sua casa ou ao guardador de carros que encontra na rua.

Édipo assumido, Alice, sua mãe, é tudo, até um pouco de pai, de quem guarda só recordações risonhas. O irmão mais velho, Rafael, é o parceiro que abriu seu caminho para o sucesso nas quadras e o mais moço, Guilherme, deficiente, é o dono do seu enternecimento permanente, além da avó, Olga, de quem fala com adoração.

Pense no Guga. E não faça cobranças. Ele já nos deu demais.

Juca Kfouri é colunista do jornal “Lance!”

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